As férias tem sido exaustivas. Fora todas as atividades no Coletivo Difusão, tô cursando uma matéria de curso de férias chamada Marketing Político. Tivemos que fazer um artigo opinativo sobre escândalo político. Escolhi falar do Berlusconi. O resultado vou dividir aqui com vocês:
Berlusconi, o escândalo por excelência.
Nos anais da imprensa política sempre há espaço para o escândalo, mas nos últimos anos um personagem firmou cadeira cativa no noticiário mundial: Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano. Justamente por ser pródigo em envolver-se em escândalos, Berlusconi tem no currículo os mais variados casos, sexuais, financeiros e de poder.
O que intriga a imprensa mundial e parte da mídia italiana é a capacidade que o primeiro-ministro tem de se manter imune em meio a tantas polêmicas. Berlusconi concentra o poder político, econômico e midiático na Itália há pelo menos 15 anos. Dono da maior fortuna da Itália, listado como o vigésimo homem mais rico do mundo, controla seis dos principais canais privados da Itália e as redes públicas de TV. O poder e a fortuna do premiê só tiveram a crescer durante os períodos em que ele ocupou o lugar de primeiro-ministro (atualmente ele exerce o terceiro mandato).
Diferente do que reza a cartilha dos políticos envolvidos em escândalos, o primeiro-ministro da Itália não se recolhe da vida pública, não presta esclarecimentos e quando os faz são constantemente desmentidos. Para se ver livre da enxurrada de processos contra ele, Berlusconi tentou aprovar o Lodo Alfano, uma lei que garantiria imunidade ao primeiro-ministro e aos presidentes da República, do Senado e da Câmara durante o exercício do mandato. À época somente Berlusconi se beneficiaria da lei.
Ora, se nos dias atuais um escândalo político não pode ser dissociado de um escândalo midiático, a situação de Berlusconi não é assim tão adversa. Com seu império midiático o premiê pode salvaguardar sua imagem interna na Itália, desviando as discussões sobre sua vida da esfera pública, ao mesmo tempo em que explora a situação adversa de seu país.
A Itália hoje detém a terceira maior dívida pública do planeta e o déficit das contas públicas está na casa dos 3% do PIB. Assim como diversos outros países europeus, a Itália sofre com o aumento da imigração e as perdas de postos de trabalho para os estrangeiros ilegais.
Para isso a resposta do primeiro-ministro são medidas paliativas como a legalização dos imigrantes ilegais (o que fez com que o índice de desemprego diminuísse), o aumento de benefícios sociais (aumento da aposentadoria, pagamento de mil euros por cada recém-nascido) e diminuição dos impostos sobre salários e sobre as empresas.
As medidas tomadas por Berlusconi no campo econômico servem para aliviar a tensão, sobre o cidadão italiano, da estagnação da economia. Mas principalmente ajuda-o a afastar a atenção de suas proezas enquanto trava uma guerra com a magistratura italiana.
A Lodo Alfano foi uma resposta de aliados do primeiro-ministro a um processo a que este responde por corrupção. Berlusconi caminhava para a condenação no processo criminal no qual é acusado de ter comprado por US$ 600 mil o silêncio do advogado inglês David Mills, que teria recebido o dinheiro para livrar o premiê das acusações de corrupção de agentes da Guarda de Finanças e de criar um ilegal e secreto fundo de investimentos, conhecido por All Iberian.
A Suprema Corte Italiana barrou a criação da lei alegando inconstitucionalidade. Berlusconi revidou chamando os juízes de comunistas e de fazerem parte de um complô, em conjunto com a mídia, para derrubá-lo do poder.
Todos esses capítulos na novela de escândalos berlusconiana podem ser explicados a vista da Teoria dos Escândalos Políticos Midíaticos de John Thompson. O que não se explica é a resistência da imagem de Berlusconi. Os únicos golpes que a imagem deste sofreu podem ter sido dados recentemente com a aparição dos escândalos sexuais: sua mulher, Veronica Lario, pediu divórcio e a aprovação ao seu governo caiu 17% no último ano.
É certo que o premiê italiano já tem o seu lugar na história da política mundial, Berlusconi foi provavelmente o governante que passou a maior parte de seu tempo no poder sendo associado a casos escusos, escândalos de toda ordem e associações e alianças com figuras obscuras da vida italiana. O que resta saber é como esta figura inusitada, esse sujeito histriônico e fanfarrão conseguiu, ainda assim se manter por tanto tempo imune às catástrofes em sua imagem pública.
E é isso.
E como diria um amigo: beijobeijo me tuita.
P.S.: Tô sem tempo de compartilhar algum vídeo com vocês, talvez quando eu voltar aqui pra falar da nota pelo trabalho eu traga algo.



